Talvez o expressar seja o mais difícil quando o coração se encontra tão frágil juntamente com o que deveria ser falado. Todos e mais quem fosse roubaram uma parte de mim e agora, quando já não há mais pedaços para serem arrancados, sobrou o vazio de tudo o que era para ser e não foi, de tudo o que afinal nada era.
Durante a noite, eu sinto a falta do que um dia me fez bem, mas algo conspira contra mim a cada passo que dou, as minhas pernas estão cansadas de caminhar onde não existe trilho. A força está escassa porque a minha mente está demasiado destruída pela tristeza que se instalou. Uma alma acorrentada pelas cicatrizes que ficaram. Um coração enfraquecido pela dor.
Uma mente desmotivada para permanecer erguida. Uma vida cujo o seu sentido se esconde.
Sinto a solidão a entrar sem aviso prévio, por mais pessoas à minha volta, elas aparentam não ter existência nos momentos sós comigo mesma,como se fossem somente mais uma das minhas tantas ilusões, invadindo-me numa união com os pensamentos que me corroem, que se entrelaçam entre si apertadamente, mais um dos tantos fardos que suporto. No entanto, não me dá o direito de partilhar o meu sofrimento com pessoas que merecem ser felizes, de lhes estragar o dia por contar o que me incomoda por dentro que, ao certo, nem eu própria sei.
Mas, só eu, conheço o desespero dos meus olhos quando observam, através do espelho, a imagem do que é ser miserável, do que é ser insuficiente. Transformei-me numa mistura complexa de negativismo acumulado. Não sei lidar comigo porque haveria alguém de o tentar fazer? Poucos são os que ainda continuam a tentar manter um contacto comigo enquanto a única coisa que eu ainda me lembro de ter aprendido com cada vestígio de feridas abertas é me isolar.
O tempo modificou-me. Rastejo pelo chão procurando um buraco para me esconder de toda esta dor sentida intensamente, acho que perdi o controlo de mim há algum tempo. Enfrentando uma guerra sem munições suficientes para superar o abismo que atravesso. Procurando forças em uma imensidão infinita inexplorada e jamais vista, suponho me ter perdido por este espaço então estou a rezar para que um dia alguém me encontre e me traga de volta.
Perdi a vontade e a motivação de continuar e no fundo nem sei se alguém realmente me conhece de verdade. As palavras parecem tão cruéis porém não conseguem atingir nem metade da dimensão em que o frio se propaga.
A angústia de sentir culpa de todas as partidas, de todas as rajadas de vento e tempestades cobriram a minha auto-estima de arrependimentos danificados. Estou diferente, não sei se ainda posso ser considerada como alguém porque já não pertenço a nada. Sinto-me friamente amarga. As minhas lágrimas ardem sob o meu rosto, estou cansada de viver, de ser eu, da mesma rotina, das mesmas desilusões. A cada dia que passa a minha respiração é mais profunda acompanhada por receios e medos que não sei vencer porque em toda a minha vida sempre perdi. Então, acho que fui feita para nunca ter glória. O meu reflexo é escuridão, nunca encontrei alguém que gostasse do escuro.
Todas as horas faço um esforço para respirar, para viver, para ser feliz mas até isso não passa de uma perspectiva fracassada. No que é que me tornei ? Eu nunca quis ser o exemplo do que os outros não devem ser. Que tipo de pessoa sou, ao ser uma pessoa, somente, vazia mas tão bem preenchida de sentimentos que imploro que se vão embora ? Uma alma que se está a dissipar deixando apenas o corpo ?
A.G
sábado, 18 de outubro de 2014
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Equivalente ao vento
Questiono-me sobre a imensidão do teu tempo, visto que ele para mim não tem existência. Sorriu por pensar nos momentos que algum dia já passámos e um vazio me entristece quase no mesmo instante por lembrar a energia que eu desperdicei tentando ser suficiente e imaginando as milhões de tentativas do que seria conter a capacidade certa para a tua felicidade.
Algo não me agrada nessa tua distância sem fundamento com único argumento que vais por onde o vento te levar, porque eu, eu não deixaria que uma brisa me indicasse sob uma ordem autoritária qual a opção que devo escolher, assim que isso acontecesse, deixaria de ser a minha opinião e consequentemente deixaria de ser a minha escolha. Indigna-me a frieza com que confrontas uma amizade tão delicada como a que nós tínhamos. O silêncio incapaz de tolerar mais palavras tornou-se obvio onde a confianca entre nos esta gasta, perdeu a expressividade que outrora tivera. No desalento procurei o abrigo que me aconhegava mas so encontrei o dedo que para mim apontava os erros cometidos sem a plena nocao da consciencia. Sai da fila de espera do teu jogo de vir e voltar subitamente porque no entretanto procurei por estabilidade, estabilidade essa que nunca se adequou a juncao das tuas caracteristicas com as minhas. Tornaste-te na equivalência do vento, surpresa sempre fico a cada partida e cumprimento.
A.G
Algo não me agrada nessa tua distância sem fundamento com único argumento que vais por onde o vento te levar, porque eu, eu não deixaria que uma brisa me indicasse sob uma ordem autoritária qual a opção que devo escolher, assim que isso acontecesse, deixaria de ser a minha opinião e consequentemente deixaria de ser a minha escolha. Indigna-me a frieza com que confrontas uma amizade tão delicada como a que nós tínhamos. O silêncio incapaz de tolerar mais palavras tornou-se obvio onde a confianca entre nos esta gasta, perdeu a expressividade que outrora tivera. No desalento procurei o abrigo que me aconhegava mas so encontrei o dedo que para mim apontava os erros cometidos sem a plena nocao da consciencia. Sai da fila de espera do teu jogo de vir e voltar subitamente porque no entretanto procurei por estabilidade, estabilidade essa que nunca se adequou a juncao das tuas caracteristicas com as minhas. Tornaste-te na equivalência do vento, surpresa sempre fico a cada partida e cumprimento.
A.G
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