Vejo-me no espelho da garrafa que estou encurralada. Todos os caminhos que me circundam parecem fechados. Não sei sair. Não sei como vencer. Todos pensam que para alcançar a vitoria basta ter a força de vontade. Não chega. Nunca é suficiente. Nenhum esforço é. Quanto mais perto me aproximo de quebrar o medo mais paralisada me sinto. Combater comigo mesma é uma luta árdua e desesperadamente impossível. Uma vez despertada a ansiedade, o tormento do pânico emerge. É como se vivesse o mesmo pesadelo dia após dia sem ser capaz de me salvar a mim mesma. Se tenho alguém a repreender é a mim por me ter deixado afundar nos meus próprios pensamentos. Deixei de ter controlo. Tudo me aterroriza. O meu maior desejo é a possibilidade de um retorno a quem eu era. Vejo a minha vida a escapar-me entre os dedos e eu nao sou capaz de mudar isso.
Cada momento de inferno que enfrento arde lentamente cada parte de mim. Fui eu quem originou o incêndio e ainda assim peço que ele se extinga e que reste algumas cinzas minhas para que possa renascer delas. Quanta ironia em cada caixa que eu escolhi abrir. Será que algum dia terá fim? Dúvido.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Quero-me de volta
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